O principal fator desta semifinal não é tanto o nível técnico dos adversários, mas sim o vigor físico. Sinner disputou sua partida de quartas de final em 2 horas e 35 minutos, enquanto Djokovic precisou de 5 horas e 14 minutos para superar Félix Auger-Aliassime — quase o dobro do tempo —, incluindo um atendimento médico no primeiro set e três tie-breaks. Recuperar-se em 48 horas aos 39 anos após um esforço como esse é extremamente difícil, e isso fará diferença logo no início do jogo, especialmente se Sinner impuser um ritmo forte em seu serviço desde o começo.
O histórico de confrontos diretos também pende claramente para o lado do italiano: sete vitórias e apenas uma derrota nos oito confrontos anteriores. Além disso, em Wimbledon, o italiano já superou com autoridade o sérvio no ano passado, impedindo-o de chegar à final do torneio.
A grama atualmente favorece um estilo de tênis mais jovem e agressivo: Sinner conta com um primeiro serviço consistentemente potente (16 aces nas quartas de final contra Jan-Lennard Struff) e um número mínimo de erros não forçados em momentos decisivos, o que é comprovado pelo excelente aproveitamento de break points nos jogos da segunda semana.
O principal trunfo de Djokovic é sua enorme experiência em grandes torneios e a capacidade de reverter cenários adversos em partidas de cinco sets. No entanto, a duração e a intensidade de sua última partida de quartas de final representam o maior risco para o sérvio: trocas de bola curtas e transições rápidas pelo quinto ou sexto dia consecutivo são, realisticamente, muito mais complicadas para um tenista de sua idade do que longos duelos táticos.
Não se deve esperar um atropelo: Djokovic é experiente demais para simplesmente entregar o jogo. Contudo, o controle do ritmo e a vantagem física devem permitir que Sinner conduza a partida até a vitória em três ou quatro sets.


