Medvedev já não atropela ninguém há tempos. Na temporada, são 28 vitórias e 11 derrotas, mas quase toda essa vantagem foi construída até abril: títulos em Brisbane e Dubai, além da final em Indian Wells. Depois vieram eliminações precoces e jogos truncados, com o placar equilibrado até os momentos finais.
A sequência de verão confirmou isso. Terceira rodada em Wimbledon, depois Montreal e derrota para Botic van de Zandschulp (3 x 6, 6 x 7). Mesmo quando perde, o russo leva o set até o tie-break. Sem o primeiro saque e apostando na devolução, ele quase não vence sets sem ceder games.
Trungelliti é exatamente o tipo de jogador que prolonga as partidas. O argentino tem 36 anos, é o 91º do mundo e um especialista no saibro, mas passou pela qualificatória e pela primeira rodada em três jogos pesados: Sebastian Ofner (4 x 6, 6 x 4, 7 x 6), Kei Nishikori (4 x 6, 7 x 5, 6 x 3) e Hamad Medjedovic (7 x 5, 7 x 6). Foram 90 games em três partidas.
Ele não costuma definir os pontos rapidamente nem sacar muitos aces. Devolve tudo, varia a altura das bolas e obriga o adversário a disputar cada ponto até o fim. Contra Medvedev, que também não se arrisca sem necessidade, isso tende a gerar ralis longos e games demorados. Além disso, o calor próximo dos 34 graus em Ohio deixa a bola mais lenta e facilita a defesa.
Indian Wells, em março, pode gerar dúvidas: Medvedev chegou à final cedendo apenas 25 games. Mas aquela versão ficou em março. Agora ele está reformulando sua equipe e estreia no Masters sem sequer um jogo de preparação, diante de um jogador já adaptado à quadra, à bola e ao calor.
O total só não se confirma em caso de uma vitória muito tranquila: 6 x 2, 6 x 3 ou 6 x 4, 6 x 2. Qualquer tie-break, qualquer set equilibrado ou um set de 6 x 4 já faz a aposta bater durante o segundo set. Aposto que esta partida não terminará rapidamente.