Cody Garbrandt
Este certamente já não é aquele Garbrandt clássico. No entanto, sua trocação continua afiada: ele trabalha muito bem em combinações, tem bom controle de distância e se defende com inteligência contra quedas. As maiores dúvidas giram em torno de seu fôlego e reflexos — consequência de uma sequência de derrotas por nocaute, problema que o próprio lutador já admitiu.
Além disso, há questões de saúde: desde 2012, Cody sofre periodicamente com crises de labirintite. Antes da luta contra Miles Johns, ele foi hospitalizado uma semana antes do combate, e no duelo contra Figueiredo uma crise o atingiu diretamente no chão. Neste confronto, Cody deve atuar no contra-ataque, preferindo frustrar o adversário e usar a velocidade de suas mãos. Apesar da idade e do declínio físico, ele ainda tem poder de nocaute suficiente para apagar qualquer um na divisão. O crucial será evitar ser quedado, pois na luta de solo Cody tem poucas chances.
Adrian Ynez
Yanez chegou ao UFC em 2020 através do Dana White's Contender Series (DWCS) e logo de cara engatou uma sequência de cinco vitórias. Contudo, na sequência sofreu duas derrotas pela via rápida — para Font e Martinez. Desde então, Adrian não conseguiu retomar o caminho da estabilidade: ele vem oscilando resultados, e sua última luta contra Ricky Simon terminou em um empate por decisão majoritária. Estilisticamente, Yanez é essencialmente um boxeador que adicionou bons chutes ao seu arsenal: ele gosta de receber os oponentes com chutes frontais e ditar o ritmo do combate com chutes baixos.
Adrian não teme a curta distância e raramente leva a pior nas trocas de golpes mais francas: 11 de suas 17 vitórias foram por nocaute, e sua envergadura supera a de Garbrandt em 12 centímetros. Além de uma trocação sólida, Yanez se sente confortável no chão: embora raramente tome a iniciativa de quedar, ele nunca foi finalizado em sua carreira e atua com segurança no ground and pound por cima. Nesta luta, Yanez precisa tomar a iniciativa e evitar ficar estático na curta distância. Embora Adrian goste de trocas francas, Cody definitivamente não é o tipo de lutador contra quem vale a pena correr esse risco. Yanez deve ditar o ritmo do combate, usando chutes na panturrilha para desgastar ainda mais o ex-campeão.
Cody Garbrandt x Adrian Ynez: palpite
Yanez é mais jovem, mais ativo e buscará ditar o ritmo do combate, acumulando vantagem através do volume de golpes. Garbrandt é mais técnico e possui um soco potente, mas seu plano de luta é inteiramente baseado no contra-ataque e na paciência. O fator determinante aqui será a fragilidade defensiva de ambos. Seis das sete derrotas de Garbrandt foram pela via rápida, somadas às dúvidas sobre seus reflexos e seu histórico de problemas médicos. No entanto, Yanez também é vulnerável: suas duas derrotas no UFC ocorreram antes do limite, e sua propensão a trocas francas frequentemente o expõe a golpes duros de encontro. Diante desse cenário, é difícil imaginar que este duelo chegue à decisão dos juízes. Ou Yanez conseguirá o nocaute através da pressão e do volume, ou Garbrandt encontrará a brecha precisa em uma das trocas de golpes.