Jesper de Jong chegou à chave principal como lucky loser, mas já encerrou a turnê de despedida de Stan Wawrinka em Paris e superou Federico Cina de forma confortável. Nosso palpite para este jogo não se concentra no vencedor, mas sim na sua duração.
Karen Khachanov
Cabeça de chave número 13 e atual número 15 do ranking da ATP em Roland Garros 2026, Karen Khachanov avançou duas rodadas ao vencer Arthur Gea (6 a 3, 7 a 6 e 6 a 0) e Marco Trungelliti (7 a 6, 5 a 7, 6 a 1 e 7 a 6). A temporada de 2026 não pode ser considerada totalmente consistente, mas a gira de saibro tem sido melhor. Em Roma, ele alcançou as quartas de final de um Masters 1000 pela primeira vez, perdendo para Casper Ruud apenas em três sets. Antes disso, sofreu eliminações precoces em Monte Carlo e Barcelona, e em Madri caiu para Jakub Mensik na terceira rodada. Seu estilo de jogo é claro: um primeiro saque potente, um forehand pesado e o desejo de tomar a iniciativa logo no início dos ralis. Não há preocupações com sua forma física, mas o desgaste acumulado já é significativo: sete sets, 73 games e 6 horas e 23 minutos em quadra ao longo de duas partidas.
Estatísticas importantes:
• O recorde da carreira no saibro é de 76–53 (58,9% de vitórias); nas últimas 52 semanas em nível ATP, é de 9–6 (60%).
• Na primeira rodada em Paris, ele venceu 72% dos pontos com o seu primeiro saque.
• Em duas rodadas, ele jogou sete sets e 73 games, com dois tie-breaks disputados no segundo jogo.
Jesper de Jong
Atualmente na 106ª posição do ranking da ATP, ele entrou na chave principal de Roland Garros como lucky loser após a desistência de Arthur Fils. Na primeira rodada, superou Stan Wawrinka em sua partida de despedida na quadra Simonne-Mathieu em 3 horas e 4 minutos (6 a 3, 3 a 6, 6 a 3 e 6 a 4). Na segunda fase, passou sem dificuldades por Federico Cina (6 a 3, 6 a 1 e 6 a 3) em apenas 1 hora e 48 minutos. Chegar à terceira rodada de um Grand Slam é um feito inédito em sua carreira. Em termos de estilo, De Jong é um jogador resiliente, que gosta de ralis longos, movimenta-se muito bem no saibro e costuma quebrar o ritmo do adversário com deixadinhas. Fisicamente, no entanto, sua trajetória já tem sido bastante exigente: incluindo o qualificatório, ele já disputou cinco partidas, 14 sets e quase 11 horas em quadra.
Estatísticas importantes:
• O recorde da carreira no saibro em nível ATP é de 11–9 (55%): a terra batida é a superfície que melhor se adapta ao seu estilo.
• Contra adversários do top 20, De Jong tem apenas uma vitória confirmada — o salto de nível aqui é substancial.
• Em Roland Garros 2024 e Roland Garros 2025, ele foi eliminado na segunda rodada; esta é a primeira vez que alcança a terceira fase.
Palpite para Karen Khachanov x Jesper de Jong
Um lucky loser que eliminou Stan Wawrinka e atropelou Federico Cina em menos de duas horas cria uma narrativa na qual parece perigoso apostar contra. No entanto, a cotação de 1.85 para o under de games não se trata de prever se Khachanov vai vencer ou não. A questão é outra: se De Jong conseguirá arrastar a partida para cinco sets ou inflar um duelo de quatro sets com tie-breaks e parciais equilibradas.
É aí que os números deixam de fazer sentido. O único confronto direto entre eles ocorreu em Roterdã, em fevereiro, em uma quadra rápida coberta, e terminou com vitória de Khachanov (3 a 6, 6 a 4 e 7 a 5) após apenas 31 games. Embora aquele torneio tenha sido em melhor de três sets, ainda serve como referência direta. De Jong de fato venceu o primeiro set, mas Khachanov aumentou o ritmo com seu primeiro saque e liquidou a partida. Em Paris, Khachanov tem ainda mais vantagens em termos de potência física: ele tem 1,98 m de altura, possui um primeiro saque pesado, um forehand profundo e o hábito de atacar bolas curtas imediatamente, sem prolongar as trocas de bola. De Jong é consistente nos ralis e habilidoso em quebrar o ritmo com drop shots, mas seu saque não parece uma proteção confiável contra quebras diante de um oponente desse calibre.
Há duas semanas, em Roma, Khachanov chegou às quartas de final de um Masters 1000 pela primeira vez. Ele venceu Alexander Shevchenko, Botic van de Zandschulp e Dino Prizmic — o mesmo jogador que anteriormente havia eliminado Novak Djokovic. Sua forma no saibro está consolidada. O cenário básico é simples: Khachanov garante dois dos três primeiros sets graças ao seu saque e primeiro golpe, tem uma pequena oscilação em algum momento, mas no quarto set volta a fazer a diferença com sua superioridade técnica.
O principal risco é o próprio Khachanov, que tem tendência a prolongar seus jogos. Na segunda rodada em Paris, contra Marco Trungelliti, o resultado foi definido em quatro sets, dos quais dois foram decididos em tie-breaks, totalizando 45 games. Se um padrão semelhante se repetir aqui, a aposta ficará no limite. Trungelliti quebrava o ritmo constantemente, lutava em cada rali e não dava pontos fáceis. De Jong segue uma linha diferente: apoia-se na movimentação, variedade e paciência, mas, após cinco partidas em Paris, seu estado físico já não é o ideal. Contra Khachanov, esse fator pesa muito mais do que o status simpático de lucky loser.
De Jong precisará de um dia praticamente perfeito em seus saques, de pelo menos um tie-break e de uma desconcentração total por parte de Khachanov. Caso contrário, a partida deve se manter em um patamar de três a quatro sets e entre 31 e 37 games.


