Andrey Rublev é novamente considerado o favorito pelas casas de apostas, o que é lógico diante de seu domínio completo no histórico de confrontos (4 a 0). No entanto, o torneio atual mostra que definitivamente não haverá vida fácil para ele aqui: Nuno Borges está jogando esta gira de Paris em um nível altíssimo e já eliminou dois perigosos especialistas em saibro.
Nuno Borges
Nuno Borges teve resultados oscilantes no saibro nesta temporada, com seis vitórias e seis derrotas. Porém, em Roland Garros, ele já protagonizou uma bela surpresa. Primeiro, passou por Tomas Martin Etcheverry em três sets (6/3, 6/4 e 6/2) e, em seguida, venceu Miomir Kecmanovic com autoridade após perder o primeiro set (3/6, 6/2, 6/1 e 6/2). Seu jogo de devolução tem sido especialmente impressionante: ao longo do torneio, ele venceu 44% dos pontos no saque dos adversários. No entanto, os erros persistem: em duas partidas, ele cometeu 79 erros não forçados e oito duplas faltas. Isso será crucial contra Andrey Rublev — Borges perdeu para ele quatro confrontos seguidos, incluindo um duelo há um mês e meio em Monte Carlo.
Andrey Rublev
Andrey Rublev vive uma temporada de saibro instável. Por um lado, venceu 10 de 14 partidas nesta superfície e foi ganhando ritmo para Paris. Por outro lado, a qualidade do seu tênis ainda está longe do ideal. Em ambos os jogos deste torneio, ele teve momentos de clara oscilação. Tanto contra Ignacio Buse (6/3, 6/7, 6/3 e 7/5) quanto contra Camilo Ugo Carabelli (6/1, 1/6, 6/3 e 7/6), ele cedeu o segundo set e precisou elevar seu nível novamente para vencer. A quantidade de erros é preocupante: nos oito sets disputados, ele já soma 106 erros não forçados contra 99 winners.
Palpite para Nuno Borges x Andrey Rublev
Apesar do placar de 4 a 0 no confronto direto a favor de Andrey Rublev, esta partida promete ser muito mais equilibrada do que as odds das casas de apostas sugerem. Borges vive um momento muito bom e, em Paris, tem se mostrado até mais consistente do que Rublev. Ele defende muito bem, mantém a bola em quadra e força seus oponentes a jogarem sempre mais uma bola, cenário no qual Rublev costuma sofrer com instabilidade emocional e sequências de erros não forçados. O último confronto entre eles em Monte Carlo foi bastante ilustrativo. Naquela ocasião, Rublev também era o franco favorito, mas Borges impôs um ritmo de trocas longas e chegou a vencer o segundo set por 6/1. As condições atuais em Paris são ainda mais favoráveis ao português: o saibro lento de Roland Garros lhe dá mais tempo na defesa e prolonga os ralis, onde ele se sente extremamente confortável. O nível apresentado por Rublev no início do torneio também joga contra ele — 106 erros não forçados em dois jogos é uma marca preocupante para quem é apontado como um dos favoritos de sua chave. Ele ainda vence muito na base da potência, mas contra um adversário organizado e paciente como Borges, esse volume de erros quase inevitavelmente resultará em um jogo longo. Além disso, Borges raramente sofre derrotas pesadas em Paris: em toda a sua carreira, ele só foi derrotado aqui por uma margem maior que seis games em uma única ocasião. Mesmo que Rublev acabe confirmando a vitória pelo peso de sua categoria e experiência, não será uma tarefa simples. Esperamos pelo menos quatro sets nesta partida.


