Svitolina chega a Paris respaldada por uma sequência de dez vitórias consecutivas e o título em Roma, enquanto sua compatriota não perdeu uma única partida durante toda a temporada de saibro.
Elina Svitolina
Svitolina desembarcou em Paris como a número sete do mundo e em sua melhor forma física e técnica em várias temporadas. Em maio, ela levantou o troféu em Roma — sua terceira conquista nesse torneio e o 20º título da WTA na carreira. Em Roland Garros, estas são suas sextas quartas de final (após 2015, 2017, 2020, 2023, 2025 e agora 2026), mas ela nunca conseguiu avançar além desta etapa no saibro parisiense.
Em Paris, ela superou Anna Bondar, Kaitlin Quevedo, Tamara Korpatsch e Belinda Bencic. A estreia contra Bondar e o confronto contra Bencic foram difíceis, mas evidenciaram o seu excelente momento atual. Ela soube lidar com as trocas longas de bola, não se desestabilizou após perder sets e, em ambas as ocasiões, elevou seu nível de forma repentina nos momentos decisivos.
O estilo atual ainda reflete a versão clássica de seu jogo no saibro: defesa sólida, paciência e a capacidade de devolver sempre uma bola extra. No entanto, em Paris, ela tem tomado a iniciativa com mais frequência usando o forehand logo no primeiro golpe após o saque, sem apenas manter a bola em jogo, mas buscando atacar de forma ativa. Fisicamente, ela não demonstra nenhum desgaste visível. Embora a carga de jogos já seja pesada, no terceiro set contra Bencic ela parecia mais inteira fisicamente e fechou a partida com um contundente 6 a 0.
Marta Kostyuk
Kostyuk é a grande revelação desta temporada de saibro. No primeiro semestre, ela conquistou os torneios de Rouen e Madri, onde faturou o primeiro título de nível WTA 1000 de sua carreira, e agora alcança as quartas de final de Roland Garros pela primeira vez. Em sua trajetória, superou Oksana Selekhmeteva, Katie Volynets, Viktorija Golubic e Iga Swiatek.
A vitória sobre Swiatek (7 a 5, 6 a 1) merece destaque como um divisor de águas. Antes disso, ela havia perdido para a polonesa três vezes e não havia vencido sequer um set. Desta vez, ela não só superou a campeã no ritmo de jogo, mas também a desestabilizou com devoluções agressivas, atacando constantemente o segundo serviço e forçando Swiatek a jogar sob pressão constante.
Seu estilo é consideravelmente mais agressivo que o de Svitolina. Ela bate mais forte do fundo de quadra, sobe à rede com mais frequência e gosta de definir os pontos nos voleios. No saibro lento de Paris, ela se mostrou mais paciente: não se apressa em buscar os winners (bolas vencedoras), mas prefere movimentar a adversária antes de atacar. Fisicamente, o detalhe principal foi sua recente desistência de Roma, logo após Madri, devido a dores no quadril e no tornozelo. Contudo, em solo francês, ela já superou um duro teste de três sets contra Volynets e passou com autoridade por Golubic e Swiatek.
Estatísticas em destaque
A sequência de vitórias de Kostyuk no saibro chegou a 16 partidas. Desde a introdução do ranking da WTA, a única tenista a alcançar uma sequência invicta tão longa na terra batida foi Justine Henin, em 2005.
Ela venceu três de seus quatro confrontos em Paris em sets diretos.
Em cada uma de suas quatro apresentações em Roland Garros, ela obteve no mínimo quatro quebras de saque.
Palpite para Elina Svitolina x Marta Kostyuk
Estas quartas de final não têm uma favorita destacada que se possa apontar com plena certeza para dominar o confronto. Svitolina vem de dez vitórias seguidas, enquanto Kostyuk está invicta em toda a temporada de saibro — e uma delas conhecerá a derrota pela primeira vez neste período justamente no dia em que disputam uma inédita vaga nas semifinais de Roland Garros.
As casas de apostas refletem esse equilíbrio com cotações parecidas: a vitória de Kostyuk paga em torno de 1.80, enquanto o triunfo de Svitolina está cotado em cerca de 2.00. Com linhas tão próximas, o caminho mais interessante não é tentar adivinhar a vencedora, mas sim focar na duração do confronto.
O saibro parisiense neste momento não favorece pontos rápidos definidos em poucos golpes. A própria Kostyuk admitiu que precisou de tempo para se adaptar às condições locais e que os ralis precisam ser trabalhados até o fim. Nesta superfície, as bolas retornam com mais facilidade, as quebras de saque são frequentes para ambos os lados e um placar final de dois sets a zero não se apresenta como a tendência mais natural. O andamento do torneio já comprovou isso: Svitolina buscou a virada após perder o primeiro set em duas ocasiões — contra Bondar e Bencic —, e Kostyuk travou um duelo desgastante contra Volynets, resolvido em três sets e com duração de 2 horas e 43 minutos.
O confronto direto recente também reforça a projeção de um jogo longo: o último embate entre elas, em Toronto em 2024, precisou de três sets para ser decidido (6 a 2, 2 a 6, 6 a 2). Elas se enfrentam na terra batida pela primeira vez, e não há uma grande disparidade de estilos. Ambas jogam de forma agressiva no fundo, pressionam muito na devolução de saque e oferecem oportunidades à rival no segundo serviço: nas quatro partidas disputadas em Paris, Svitolina ganhou 51,5% dos pontos na devolução de segundo saque, enquanto Kostyuk obteve 51,1%. Esse cenário desenha uma partida repleta de quebras de serviço mútuas, e não de games de saque dominantes.
O risco desse palpite é claro: tanto Svitolina, com aquele 6 a 0 no terceiro set contra Bencic, quanto Kostyuk, com o 6 a 1 na segunda parcial contra Swiatek, podem se impor rapidamente e embalar em determinado trecho da partida. Contudo, odds próximas a 2.40 representam uma probabilidade implícita de apenas 42% para um duelo de três sets. Para um confronto tão parelho entre duas jogadoras que vivem excelente momento físico e técnico no saibro lento, ambas com segundo serviço vulnerável, essa linha de sets apresenta um valor bastante atrativo.


