Nakashima chegou embalado à quarta rodada, mas com as pernas pesadas: foi semifinalista em Washington e, logo depois, teve duas horas e meia de batalha com Titouan Droguet. Rinderknech, ao contrário, está descansado: Frances Tiafoe abandonou na terceira rodada, e o francês disputou no Canadá apenas uma partida e meia completa. Níveis de saque parecidos, mas ritmos de jogo diferentes, quase sempre resultam em um confronto longo.
Nakashima vive seu melhor momento no ano, e isso é um argumento a favor do total, não contra. O americano não se impõe pela velocidade, mas pela consistência. Em Washington, superou Jakub Mensik (7 x 6, 3 x 6, 6 x 4) e Alex de Minaur (7 x 6, 6 x 4), e só perdeu para Taylor Fritz no terceiro set (6 x 3, 3 x 6, 6 x 3). Foram três partidas seguidas, sem nenhuma vitória rápida.
Em Montreal, o cenário é o mesmo. A vitória sobre Daniel Altmaier (6 x 2, 6 x 1) foi o único trabalho rápido do americano nas últimas duas semanas, e o adversário era um especialista em saibro sem ritmo na quadra dura. Já contra o oponente seguinte, Titouan Droguet, Nakashima lutou por duas horas e 31 minutos, perdeu o primeiro set e buscou a virada no fim (4 x 6, 6 x 2, 7 x 5). Foram 36 games onde se esperavam 20.
Rinderknech não é o tipo de jogador que se supera sem dificuldades. A temporada do francês é mediana, com 16 vitórias e 17 derrotas, mas o saque o mantém em qualquer set. Em Montreal, ele eliminou Miomir Kecmanovic (6 x 7, 6 x 4, 6 x 4), depois de perder o primeiro set no tie-break. Foram 33 games. Quebrar seu saque duas vezes em uma partida na rápida quadra dura canadense é tarefa para pouquíssimos.
Outro ponto é o descanso. A desistência de Frances Tiafoe quando o placar estava em 6 x 2, 2 x 0 deu a Rinderknech praticamente uma partida inteira de descanso. Para o total, isso é mais importante do que parece: um sacador cansado desmorona e cede sets curtos; um descansado leva cada game até a igualdade.
O único confronto direto teve 34 games: em Lyon-2023, 7 x 6 (6), 1 x 6, 7 x 5 para o americano. Foi no saibro e há três anos, mas os papéis continuam os mesmos: Nakashima é mais forte nas trocas de bola, Rinderknech é mais perigoso no saque, e nenhum dos dois consegue se distanciar do outro.
A linha aqui está baixa. Para ela não bater, seria necessário um cenário de vitória tranquila, como 6 x 4, 6 x 3 — e nenhum argumento aponta para isso. Basta um tie-break ou um terceiro set para o total ser superado com folga.