Maja Chwalinska
A polonesa de 24 anos, Maja Chwalinska, protagonizou uma campanha memorável que relembrou a conquista histórica de Emma Raducanu no US Open de 2021. Tendo iniciado o torneio fora do top 100, a jogadora já subiu para a 20ª posição no ranking provisório da WTA graças a esta final. Antes deste ano, ela somava apenas uma vitória em chaves principais de Grand Slams, e sua carreira quase foi interrompida por uma depressão severa. Na temporada de 2026, a canhota exibe um sólido retrospecto de 19 vitórias e 5 derrotas no saibro, embora antes de Paris esses triunfos tenham ocorrido em eventos menores (10 a 5). Em Roland-Garros, ela sustenta uma sequência de nove vitórias consecutivas, incluindo a fase qualificatória.
Sua principal arma tem sido a devolução extremamente competitiva: na chave principal, ela converteu 30 de 46 break points (65%), a melhor marca do circuito nesse quesito. Chwalinska joga com um estilo defensivo e muito heterodoxo, caracterizado por bolas altas com muito spin, além do uso frequente de slices. Essa estratégia a ajudou a superar tenistas agressivas de peso, como Qinwen Zheng (6 a 4, 6 a 0), Maria Sakkari (1 a 6, 6 a 3, 6 a 2), Anna Kalinskaya (7 a 6, 6 a 3) e Diana Shnaider (7 a 6, 6 a 4). Contudo, há um ponto importante: em Paris, a polonesa ainda não enfrentou nenhuma adversária do top 20.
Mirra Andreeva
A jovem Mirra Andreeva, de apenas 19 anos, faz um torneio histórico. Ao garantir o sexto lugar no ranking em tempo real, ela se tornou a primeira jogadora nascida em 2007 ou depois a alcançar uma final de Grand Slam, superando inclusive o circuito masculino. Esta temporada foi irregular para a russa — houve eliminações precoces em Dubai e Indian Wells, mas esses tropeços só a fortaleceram. Ela lidera o circuito da WTA em vitórias no saibro em 2026, com uma campanha excelente de 21 triunfos e apenas 3 derrotas.
Em Paris, a adolescente teve uma rápida oscilação na segunda rodada contra Marina Bassols Ribera (3 a 6, 6 a 1, 6 a 1), mas depois disso dominou amplamente suas rivais: Marie Bouzkova (6 a 4, 6 a 2), Jil Teichmann (6 a 3, 6 a 2), Sorana Cirstea (6 a 0, 6 a 3) e Marta Kostyuk (6 a 1, 6 a 3) foram superadas sem que a russa perdesse um único set. Diante de Cirstea e Kostyuk, ela apresentou ótimos números no primeiro serviço (acima de 73% de aproveitamento e mais de 66% dos pontos ganhos com o primeiro saque), o que facilitou bastante seus games de serviço. Além disso, Andreeva se destaca entre as quatro melhores devolvedoras da temporada, vencendo 43% dos games no saque das adversárias.
Palpite para Maja Chwalinska x Mirra Andreeva
As casas de apostas apontam, com razão, Andreeva como a grande favorita para a final, avaliando suas chances de título como muito altas. A diferença de nível técnico e variação no fundo de quadra entre uma top 10 e Maja Chwalinska, que iniciou a competição fora do top 100, é substancial. A tática de Chwalinska de usar bolas altas com muito spin, drop shots e quebras de ritmo funcionou muito bem contra tenistas agressivas que batem reto, como Diana Shnaider, Anna Kalinskaya e Qinwen Zheng, que acumularam erros não forçados pela falta de peso na bola de volta.
No entanto, Mirra é uma jogadora completa, paciente e extremamente ágil. Andreeva consegue sustentar trocas de bola do fundo de quadra pelo tempo que for necessário, mantendo excelente profundidade em seus golpes. Drop shots não devem surpreender uma atleta tão móvel, e seu backhand é considerado um dos melhores do mundo, o que neutraliza bastante a vantagem de Chwalinska por ser canhota (o histórico de 12 vitórias e 1 derrota de Andreeva contra canhotas no saibro evidencia isso). Além disso, a russa vem sacando muito bem, colocando mais de 73% do primeiro serviço em quadra. Isso impedirá que Chwalinska explore sua principal arma no torneio: devoluções agressivas e quebras frequentes sobre segundos serviços vulneráveis.
Em contrapartida, o saque de Chwalinska é lento (cerca de 145 km/h), o que deve virar alvo fácil para a devolução qualificada de Andreeva. A equipe técnica de Mirra, liderada por Conchita Martinez, certamente analisará detalhadamente o jogo da polonesa, e suas compatriotas Anna Kalinskaya e Diana Shnaider também devem compartilhar observações valiosas. Em seus últimos quatro confrontos, Andreeva não precisou de mais do que 18 games para fechar as partidas. Chwalinska já superou todas as expectativas, mas na final diante da russa, que parece pronta para erguer seu primeiro troféu de Grand Slam, a polonesa dificilmente encontrará respostas táticas eficientes. Mesmo assim, faremos uma aposta com uma margem de segurança.

