Shelton defende o título e é o único cabeça de chave do top 10 que restou nesta fase. Fonseca tem 19 anos, já eliminou Stefanos Tsitsipas e Casper Ruud e, pela primeira vez, chegou tão longe no Canadá. Ambos batem mais forte que todos os jogadores restantes no torneio e não perderam um set sequer nesta semana. Será difícil para qualquer um quebrar o saque do outro.
Shelton sustenta o saque de tal maneira que este jogo não pode acabar rápido. Em duas rodadas em Montreal, o americano teve o saque quebrado exatamente uma vez. Contra Zizou Bergs, venceu 87% dos pontos com o primeiro saque, aplicou oito aces e não cometeu nenhuma dupla falta. Contra um saque assim, não dá para encaixar uma sequência de quebras, e cada set se estende até 5 a 4, 6 a 5 e além.
O brasileiro também não vacila no saque. Foram 13 aces em dois jogos e nove break points salvos de 12. As duas partidas de Fonseca em Montreal começaram com tie-break no primeiro set: (7 a 6) contra Tsitsipas e (7 a 6) contra Ruud. É exatamente o cenário que aumenta o número de games.
Basta calcular o volume que Fonseca já disputou: 25 games contra Tsitsipas e 22 contra Ruud. Foram 47 games em quatro sets, quase 12 por set. Nesse ritmo, até uma vitória em dois sets leva bem perto da linha.
O confronto direto em Munique serve não como argumento a favor do favorito, mas como referência de volume: (6 a 3), (3 a 6), (6 a 3) — 30 games. E foi no saibro, onde é mais fácil devolver. Em Montreal, o saque vale mais, e o tie-break está mais próximo.
O atropelo sobre Bergs por (6 a 3), (6 a 2) engana. O belga teve o saque quebrado três vezes e quase não pressionou na devolução. Fonseca é mais incisivo nesse fundamento: cinco quebras em seis chances criadas. Já Shelton é pouco eficiente na devolução — seis quebras em 14 oportunidades, 43%. Um tenista que cria muito e converte pouco alonga, em vez de encurtar, os sets.
Um placar curto só acontecerá se um dos dois falhar no próprio saque. Nesta semana, nenhum deles falhou. A indicação é o total acima.