Pela primeira vez em mais de 20 anos, Roland-Garros garante a coroação de um novo campeão e, nesta terça-feira, 2 de junho, um dos candidatos ao título será definido no confronto entre Jakub Mensik e Joao Fonseca.
Para ambos os tenistas, esta é a primeira quarta de final de Grand Slam na carreira, e o nosso palpite não se baseia em quem avançará de fase, mas sim no fato de que o handicap de sets a favor do tcheco está sendo oferecido por uma cotação bem generosa.
Jakub Mensik
Trata-se de um tcheco de 20 anos, com 1,96m de altura, destro e que executa o backhand com as duas mãos, apresentando um jogo ofensivo e agressivo desde a primeira bola. Em Roland-Garros, esta é sua estreia em quartas de final: antes de Paris, seu melhor resultado havia sido a quarta rodada do Australian Open de 2026, onde abandonou antes do duelo contra Novak Djokovic devido a uma lesão na musculatura abdominal.
Sua trajetória na chave tem sido bastante exigente. Primeiro, passou com autoridade por Titouan Droguet; depois, sobreviveu a uma batalha de cinco sets contra Mariano Navone, partida na qual sofreu com cãibras. Na sequência, conseguiu uma grande virada contra Alex de Minaur após um set de abertura desastroso (0 a 6) e, nas oitavas de final, precisou de mais cinco sets para despachar Andrey Rublev. Suas características ficam evidentes nesses confrontos: um primeiro serviço potente, pontos curtos logo após o saque e o desejo de assumir a iniciativa rapidamente. No saibro, este é um estilo de jogo arriscado, mas, com um bom aproveitamento de primeiro saque, é capaz de desestabilizar até os devolvedores mais sólidos.
O desgaste físico é a principal preocupação. Dois jogos de cinco sets no torneio, espasmos após a partida com Navone e quase quatro horas em quadra contra Rublev representam uma carga de trabalho pesada. Não há nenhuma lesão evidente no momento, mas suas reservas físicas já não parecem ilimitadas.
Números-chave:
10 vitórias na carreira sobre adversários do top 10.
Duas de suas quatro partidas neste Roland-Garros foram decididas no quinto set.
Em três de seus quatro jogos em Paris, ele perdeu pelo menos um set.
Joao Fonseca
O brasileiro do Rio de Janeiro, de 19 anos, entra como o 28º cabeça de chave do torneio. Ele alcançou as quartas de final como a grande história de um quadrante que se abriu na chave: primeiro, venceu Luka Pavlovic; na sequência, venceu dois jogos saindo de uma desvantagem de 0 a 2 em sets contra Dino Prizmic e Novak Djokovic; por fim, nas oitavas de final, eliminou Casper Ruud em quatro sets. Com isso, ele se tornou o primeiro brasileiro a chegar às quartas de final de Roland-Garros desde Gustavo Kuerten em 2004.
Seu perfil de jogo é direto e agressivo: forehand potente, pressão constante e tentativas frequentes de empurrar o adversário para trás da linha de fundo. Seu saque é pesado, mas ele não depende apenas de aces como Mensik. No saibro, o brasileiro é muito perigoso nas trocas de bola: sente-se confortável em ralis longos, mas, assim que recebe uma bola na altura ideal, busca imediatamente a definição paralela.
A carga física também é expressiva. Duas viradas espetaculares após estar perdendo por 0 a 2, além de quase quatro horas contra Ruud, acumulam muita quilometragem para um jovem de 19 anos. Parece não haver problemas físicos, sua força mental já foi testada, mas, após um caminho tão desgastante, o cansaço nas pernas surge como o principal fator de risco para mais um jogo longo.
Números-chave:
30 bolas vencedoras de forehand nos três sets decisivos contra Djokovic.
51 bolas vencedoras (winners) na partida contra Ruud.
Três de seus quatro jogos neste Roland-Garros duraram pelo menos quatro sets.
Palpite para Jakub Mensik x Joao Fonseca
Ao longo de uma semana em Paris, ambos os tenistas deixaram para trás nomes como Novak Djokovic, Andrey Rublev e Casper Ruud — e agora duelam por uma vaga inédita na semifinal de um Grand Slam. A chave se abriu completamente após a eliminação precoce de Jannik Sinner e a lesão de Carlos Alcaraz: o vencedor deste confronto não apenas fica a um passo do título, mas também ganha um caminho real rumo à grande final do Grand Slam.
As casas de apostas apontam o brasileiro como favorito, deixando o tcheco em segundo plano. Fonseca é mais consistente em ralis longos e se adapta melhor ao saibro — tecnicamente falando, o brasileiro está mais próximo de avançar. No entanto, o tcheco alcançou as quartas de final não apenas contando com erros dos adversários, mas sim pelo poder de seu saque e pela agressividade nos primeiros golpes: foram 13 aces na batalha de cinco sets contra Rublev, fechando o match point com um saque vencedor, além de ter vencido seus dois confrontos de cinco sets em Paris. Um jogador com esse nível de qualidade e tanta coragem nos pontos decisivos raramente perde sem oferecer uma grande resistência.
O único confronto anterior entre eles ocorreu em quadra rápida coberta no Next Gen ATP Finals — o que tem pouca relevância para o saibro de Paris. O fator crucial é que ambos chegam exaustos para este duelo: o tcheco já encarou dois jogos de cinco sets, enquanto o brasileiro precisou buscar duas viradas épicas de 0 a 2 em sets e acumulou 4 horas e 53 minutos em quadra contra Djokovic. Este cenário desenha uma partida longa e cheia de oscilações — exatamente o ideal para buscarmos uma vantagem de handicap de sets.
A aposta sugerida só é perdida em dois casos: derrota em sets diretos ou por 1 a 3. Para um jogador com um dos saques mais potentes desta parte da chave, esse é um cenário improvável. Mesmo que o brasileiro prevaleça no volume de jogo, o tcheco tem totais condições de faturar dois sets sustentando seu saque: quando o primeiro serviço entra, fica muito difícil conseguir uma quebra contra ele, mesmo no saibro. Neste mesmo torneio, ele perdeu o set inicial para de Minaur por 0 a 6, mas ajustou sua postura, passou a subir mais à rede e garantiu três sets seguidos. A linha de apostas supervaloriza o brasileiro e subestima um fato simples: o tcheco vende suas derrotas muito caro.


