Uma equipe entrosada contra uma seleção que ainda tenta consertar sua defesa com a bola rolando. Esse é o grande atrativo da partida em Charlotte. Os Estados Unidos parecem fazer o último teste antes da Copa do Mundo em casa, mas a preparação tem sido indigesta. Após os jogos de março, a confiança é baixa e as dúvidas são muitas. Por outro lado, Senegal chega em um cenário totalmente diferente: finalista consolidado da Copa Africana de Nações, uma das seleções mais organizadas do continente e sem aquela sensação de reconstrução eterna. Elas nunca se enfrentaram antes, o que pode ser um ponto positivo. Aqui, o histórico não fará diferença; o que importa é quem demonstrará maior maturidade em campo.
Estados Unidos
O mês de março deveria ter trazido respostas claras para os americanos. E trouxe, mas não muito animadoras. As derrotas para a Bélgica (2 a 5) e Portugal (0 a 2) expuseram o miolo de zaga de uma forma preocupante: foram sete gols sofridos em dois jogos, linhas espaçadas e decisões precipitadas sob pressão. Pochettino tenta alternar entre uma linha de quatro defensores e um esquema com três zagueiros, mas nenhuma das opções transmite segurança. No setor ofensivo, o cenário é mais promissor: Pulisic vive um bom momento no Milan, enquanto McKennie tem aparecido com frequência na grande área para balançar as redes. No entanto, não dá para sustentar uma campanha de Copa do Mundo em casa apenas com o ataque. Especialmente quando, defensivamente, qualquer bola lançada na área vira motivo de desespero.
Senegal
Para Senegal, a situação é mais simples — não no sentido de ser inferior, mas sim de ser mais organizada e previsível. Com quatro vitórias nos últimos cinco jogos e apenas quatro gols sofridos (média de menos de um gol por partida), essa consistência não é por acaso. Koulibaly comanda a linha defensiva com firmeza, enquanto Mendy garante a segurança lá atrás. No ataque, há bastante agressividade: Mané lidera o setor, e Sarr e Jackson buscam constantemente os espaços vazios. Em março, superaram o Peru (2 a 0) com tranquilidade e sem alarde. E é justamente isso que mais agrada na seleção senegalesa: eles não precisam se reinventar às pressas. A base está montada, os papéis são claros e a evolução física segue o planejamento.
Palpite
Os Estados Unidos, naturalmente, devem tomar a iniciativa desde o apito inicial. Jogando em casa, com o apoio da torcida e diante do último ensaio, a pressão para atacar será enorme. Contudo, é aí que mora o perigo: quanto mais os americanos avançarem, mais espaço cederão nas costas dos defensores para os rápidos atacantes de Senegal. E dar esse tipo de vantagem para o setor ofensivo senegalês costuma ser fatal. Os visitantes parecem mais frios, concentrados e maduros coletivamente. A opção de handicap asiático (0) oferece uma excelente proteção: em caso de empate, o valor apostado é devolvido, e, pelo futebol apresentado ultimamente, a equipe africana não entra em desvantagem. Não há necessidade de complicar.


