Diana Shnaider (F) se sente muito mais confortável no saibro, adaptou-se mais rapidamente às condições do torneio e gastou significativamente menos energia na rodada de abertura. McCartney Kessler (F), por outro lado, quase perdeu para uma adversária fora do top 100 do ranking e cometeu um número enorme de erros não forçados.
Diana Shnaider
Shnaider vem demonstrando evolução em quadras de saibro. Nesta temporada, ela venceu 6 de 10 partidas nesta superfície, perdendo apenas para adversárias do top 20. Na primeira rodada de Roland-Garros, ela superou Renata Zarazua sem maiores dificuldades (6 a 4, 6 a 1), controlando totalmente o confronto após um início equilibrado. As estatísticas foram bastante reveladoras: ela venceu 59% dos pontos na devolução, número superior inclusive ao de pontos ganhos com o próprio saque (57%).
Números importantes de Shnaider:
10 de suas últimas 13 partidas terminaram em sets diretos.
95–37 é o seu histórico de vitórias e derrotas no saibro ao longo da carreira.
Ela nunca passou da segunda rodada de Roland-Garros em suas três participações anteriores.
McCartney Kessler
A tenista venceu uma partida de chave principal em Roland-Garros pela primeira vez na carreira, mas sua atuação deixou muitas interrogações.
Contra a chinesa Hanyu Guo, atual número 166 do mundo, ela precisou de quase três horas em quadra para triunfar em três sets, com parciais de 4 a 6, 7 a 6 e 7 a 5. Além disso, no segundo set, Guo sacou para fechar o jogo quando vencia por 6 a 5.
O principal problema reside na quantidade excessiva de erros em ralis longos. Na estreia, ela cometeu 70 erros não forçados e anotou apenas 26 bolas vencedoras. No saibro lento parisiense, esses números são preocupantes, especialmente diante de uma oponente capaz de manter um ritmo constante do fundo de quadra.
Somado a isso, ela permaneceu em quadra praticamente o dobro do tempo que Shnaider na primeira rodada. Em um jogo desgastante, o melhor condicionamento físico de Shnaider pode ser o fator decisivo.
Números importantes de Kessler:
32–29 é o seu histórico de vitórias e derrotas no saibro na carreira.
Em 13 de suas últimas 16 partidas, ela cedeu pelo menos um set para suas oponentes.
Ela saiu derrotada em 6 de seus últimos 10 confrontos contra adversárias mais bem posicionadas no ranking.
Palpite Diana Shnaider x McCartney Kessler
Do ponto de vista estilístico, este confronto se desenha bastante desconfortável para Kessler. Ela já apresenta instabilidade no saibro e, após uma maratona de quase três horas contra Hanyu Guo, terá de encarar Shnaider.
Na primeira rodada, Shnaider se mostrou muito mais sólida. Ela controlou as ações contra Renata Zarazua, foi eficiente nas devoluções (com 59% dos pontos ganhos no saque adversário) e raramente permitiu que a rival ditasse o ritmo dos pontos. É fundamental destacar que ela se sente à vontade no saibro lento, onde consegue arrastar as oponentes para ralis prolongados.
Atualmente, essa é a principal fraqueza no jogo de Kessler. Contra Guo, ela insistiu nos erros em trocas de bola longas e encerrou o duelo com 70 erros não forçados. Diante de Shnaider, essa estatística se torna ainda mais perigosa, pois a russa é excelente em induzir as rivais ao erro, forçando mais um golpe e mantendo uma pressão constante do fundo de quadra.
O aspecto físico é outro ponto crucial. Kessler acumulou um desgaste enorme e precisou gastar muita energia mental logo na rodada de abertura. Shnaider, por sua vez, resolveu seu compromisso rapidamente em sets diretos e chega para a segunda rodada consideravelmente mais descansada.
O jogo para canhotas de Shnaider também deve ser levado em conta. Para tenistas americanas, enfrentar canhotas no saibro costuma trazer muitas dificuldades, em especial nas quadras lentas de Paris. Ela costuma angular muito bem as bolas, obrigando as adversárias a se movimentarem constantemente.
Caso Shnaider consiga manter o nível apresentado na estreia, a tendência é que o jogo seja definido sem grandes delongas.


