Não há mistério sobre quem é o mais forte: o Brasil está em um patamar superior, e isso é indiscutível. A questão é outra: será que o time de Ancelotti vai querer transformar essa superioridade em goleada em um amistoso de despedida, onde o único objetivo é garantir um bom clima antes do embarque para os Estados Unidos? O Maracanã estará lotado, mas o ambiente festivo e um placar elástico são coisas diferentes, principalmente contra um adversário que sabe evitar derrotas.
Brasil
O Brasil ocupa a sexta posição no ranking da FIFA, mas vem sem a sua confiança característica. Nos últimos cinco jogos, foram apenas duas vitórias, duas derrotas e um empate, todos em amistosos, sem a pressão de um resultado oficial. Nas Eliminatórias, a equipe terminou apenas na quinta colocação, 10 pontos atrás da Argentina. Some a isso a ausência de Neymar, e o favorito já não parece aquele time que vai atropelar todos pelo caminho. O ataque é poderoso: Raphinha marcou cinco gols nas Eliminatórias. No entanto, este é um amistoso de preparação antes da Copa do Mundo, e a lógica é simples: abrir o placar cedo, poupar os jogadores física e clinicamente, dar minutos aos reservas, e não necessariamente golear o Panamá.
Panamá
E o Panamá é justamente o tipo de equipe que não se deixa golear facilmente. O time comandado por Thomas Christiansen aposta em linhas compactas e oferece o mínimo de espaços atrás: os panamenhos não perderam em 15 dos últimos 16 jogos. Os placares são bastante sugestivos: vitória por 2 a 1 a favor deles contra a África do Sul, empate por 1 a 1 com o mesmo adversário, derrota apertada por 1 a 0 para o México e empate por 1 a 1 com a Bolívia. É a típica lógica de jogos travados e de poucos gols: em três das últimas quatro partidas do Panamá, foram marcados menos de 2,5 gols. Christiansen prometeu rodar o elenco, mas a postura competitiva não muda com as alterações — recuar as linhas e não desmoronar após sofrer o primeiro gol. Os panamenhos estão focados em seu grupo da Copa do Mundo com Gana, Croácia e Inglaterra, e não faz sentido perderem a cabeça no Rio de Janeiro.
Palpite
Juntando todas as peças, uma vitória elástica dos donos da casa deixa de ser o cenário mais provável. O Brasil quase certamente abrirá o placar e controlará a posse de bola, mas a partir daí deve entrar em cena o relaxamento natural de um amistoso: controle de ritmo e substituições. Para o Panamá, não há razão para se expor — basta manter a organização e sair de campo sem um baque moral. Placares prováveis aqui seriam 1 a 0, 2 a 0 ou, no máximo, 2 a 1, e todos eles mantêm a nossa aposta vencedora. Para que o handicap não se confirme, seria necessária uma vitória brasileira por três ou mais gols de diferença — o que, sem Neymar, contra uma defesa sólida e em ritmo de amistoso, tende a ser uma exceção. O mercado confia em gols (Mais de 2,5 a 1.39), mas muitos gols não significam obrigatoriamente uma goleada por três gols de diferença. A margem de dois gols a favor dos visitantes parece bastante confortável.

