R$ 350 milhões em jogo: Zenit barra saída de Pedrinho para a Arábia e Corinthians só vê o prejuízo

O Zenit deu um "não" de letra ao Al-Ittihad, da Arábia Saudita, que ofereceu 60 milhões de euros (cerca de R$ 354 milhões na cotação atual) pelo meia-atacante brasileiro Pedro Henrique Silva dos Santos, o Pedrinho, na janela de transferências do inverno europeu. A informação é do jornalista Anar Ibrahimov, do portal russo Legalbet.

Não é a primeira vez que o clube de Jedá bate à porta dos russos. No mercado de agosto de 2025, os sauditas chegaram a oferecer entre 35 e 40 milhões de euros, também recusados — operação confirmada à época por ESPN, CNN Brasil e Trivela. E agora entrou mais gente na fila: segundo o Legalbet, Al-Ahli e Al-Nassr também colocaram o paulistano de 20 anos na mira. O Al-Ahli, aliás, já preparava em outubro uma investida de 55 milhões de euros (cerca de R$ 325 milhões), conforme antecipou a ESPN — enquanto o Al-Nassr incluiu Pedrinho na lista curta por indicação do empresário do atleta.

O "escudo" que o Zenit levantou

Os russos não estão soltando o jogador por um motivo simples: em 27 de janeiro de 2026, o Zenit anunciou a renovação de contrato com Pedrinho até junho de 2030, blindando o atleta. O clube avalia internamente o passe em 40 milhões de euros (R$ 236 milhões), segundo o jornal espanhol AS. O CIES Football Observatory, por sua vez, classificou Pedrinho como o meia sub-20 mais valioso do mundo fora das cinco grandes ligas europeias.

Há ainda um detalhe que explica a teimosia russa: segundo o Legalbet, os três principais brasileiros do elenco — Luiz Henrique, Pedrinho e Wendel — não querem seguir carreira no Oriente Médio. Todos preferem vitrine europeia de verdade. Recentemente, um clube italiano (cujo nome não foi divulgado) fez uma sondagem "importante" por Pedrinho, segundo o AS, também rejeitada pelos russos.

Quem é Pedrinho?

Nascido em São Paulo em 5 de fevereiro de 2026, Pedro Henrique Silva dos Santos é cria da base do Corinthians, onde chegou aos 9 anos. Estreou no profissional em março de 2023, aos 17, mas teve passagem discreta no Alvinegro: 22 jogos e apenas um gol, em meio à crise política e técnica que o Timão vivia. Foi vendido ao Zenit em junho de 2023 por 9 milhões de euros (cerca de R$ 47,5 milhões na cotação da época) — operação bastante criticada pela torcida, com a transferência passando a valer oficialmente em 5 de fevereiro de 2024, dia em que o jogador completou 18 anos.

Com 1,70 m, destro, veste a camisa 20 e atua como ponta-esquerda e meia-atacante. Na Rússia, explodiu: segundo o Legalbet, na atual temporada soma 30 jogos, 3 gols e 4 assistências em todas as competições. Pela Seleção Sub-20, é capitão e usa a camisa 10 — foi bicampeão sul-americano da categoria (2023 e 2025). No clube russo, já conquistou Campeonato Russo, Copa da Rússia e Supercopa da Rússia.

O drama corintiano

E aqui está a parte que mais dói na Fiel: o Corinthians não verá praticamente nada desse dinheiro caso a venda aconteça. Em agosto de 2024, durante a gestão de Augusto Melo, o clube vendeu ao próprio Zenit os 30% dos direitos econômicos que ainda detinha sobre Pedrinho — operação feita de forma sigilosa, sem passar pelo Conselho de Orientação (Cori) nem pelo Conselho Deliberativo, como apurou o Meu Timão. O acordo só veio a público em agosto de 2025, por meio de reportagens do ge.globo, UOL e Meu Timão.

Segundo a Trivela, o valor total recebido foi de pouco mais de 6 milhões de euros (cerca de R$ 38 milhões) — pago em quatro parcelas entre setembro e dezembro de 2024. Mas esse montante incluía também acertos sobre os jogadores Ivan, Robert Renan e Du Queiroz, ligados a operações anteriores com o clube russo. Parte do dinheiro foi usado para quitar uma dívida de R$ 10,9 milhões com Fernando Garcia, empresário do jogador e dono da Elenko Sports, conforme confirmado pelo próprio Augusto Melo em nota oficial.

Na prática: se o Zenit aceitar no futuro uma proposta de 60 milhões de euros, o Corinthians embolsará apenas cerca de 1,5 milhão de euros (por volta de R$ 9 milhões) pelo mecanismo de solidariedade da FIFA, por tê-lo formado entre os 12 e 18 anos — enquanto poderia ter faturado mais de R$ 100 milhões se tivesse segurado os 30%. O episódio foi um dos capítulos da crise que culminou no impeachment de Augusto Melo.

Por ora, Pedrinho segue em São Petersburgo, construindo currículo europeu e deixando os árabes no vácuo. E o Timão, mais uma vez, assiste ao filme de longe.