"Clube subaproveitado”: Santos com Neymar atolado em dívidas

O retorno de Neymar não foi suficiente para tirar o Santos FC da crise financeira — a dívida do clube já chegou a 1 bilhão de reais, enquanto especialistas apontam para a necessidade de mudanças estruturais profundas.

“A internacionalização é o que pode salvar o Santos, mas eu não vejo competência na atual diretoria para fazer isso”, afirmou o especialista em gestão esportiva Amir Somoggi. Segundo ele, o clube é um dos mais subaproveitados do país: “O Santos é o clube mais subaproveitado do Brasil. Porque de um lado ele tem uma marca muito forte, mas não aproveita. A receita é muito baixa. Nomes importantes como Pelé e Neymar, mas nunca conseguiu globalmente crescer.”

Somoggi também destacou o contraste entre a popularidade internacional e a base doméstica de torcedores: “O Santos é o clube brasileiro com mais torcedores no exterior. Tem potencial. Mas tem a nona ou décima torcida no Brasil. Então, fora a SAF, a internacionalização é o que pode salvar o Santos.”

Mesmo com o impacto positivo da volta de Neymar, o cenário financeiro segue preocupante: “Apesar do impacto positivo da volta de Neymar com crescimento de receita de 2024 para 2025, a dívida explodiu e atingiu 1 bilhão de reais. Por mais que o clube tente aumentar a receita, não está conseguindo equilibrar o orçamento.”

Atualmente, a arrecadação do Santos gira entre 600 e 650 milhões de reais por ano — muito distante dos principais rivais nacionais, como o Flamengo, que fatura cerca de 2 bilhões, e o Palmeiras, com aproximadamente 1,7 bilhão.

Os problemas financeiros do Santos são históricos e também se explicam por sua localização — é o único grande clube brasileiro que não está em uma capital estadual. Ainda assim, em momentos de crise, o clube já conseguiu se reinventar: foi assim com a geração dos Meninos da Vila, campeã brasileira em 2002 após 18 anos sem títulos, e também com a equipe que revelou Neymar ao mundo.

Agora, o Santos volta a enfrentar um momento decisivo: com uma marca global forte, mas pouco explorada, o clube vê na internacionalização não apenas uma oportunidade de crescimento, mas uma possível saída para sua crise financeira.