Racismo contra Carlos Miguel expõe problema estrutural da sociedade brasileira
O presidente do Observatório Racial do Futebol, Marcelo Carvalho, afirmou que os episódios de racismo nos estádios refletem um problema estrutural da sociedade brasileira e exigem ações de educação e conscientização, além de medidas punitivas.
O caso ocorreu durante o clássico entre Corinthians e Palmeiras, quando o goleiro Carlos Miguel foi alvo de gritos racistas por parte de torcedores do Corinthians. Vídeos com as ofensas circularam nas redes sociais. Ambos os clubes se manifestaram contra os atos e prometeram medidas.
O presidente do Observatório Racial do Futebol, Marcelo Carvalho, comentou as causas recorrentes desse tipo de episódio:
Ele também destacou a dificuldade de percepção de comportamentos discriminatórios e o efeito do ambiente dos estádios:
"Muitas vezes as pessoas não conseguem entender que estão sendo racistas. Não que elas sejam racistas. Mas estão tendo comportamentos racistas. E o estádio de futebol faz isso aflorar. Outra coisa que existe é uma sensação de impunidade no meio da multidão".
Carvalho elogiou a postura dos clubes após o episódio:
"No caso de Carlos Miguel a postura dos dois clubes foi a correta. O Palmeiras se manifestou apoiando o próprio jogador e o Corinthians se manifestou dizendo que vai tentar identificar o torcedor que cometeu o ato racista".
Por fim, ele ressaltou a necessidade de avançar no trabalho educativo dentro do futebol:
"A questão é o passo seguinte que a gente não consegue dar. O Palmeiras está fazendo acontecer o diálogo entre os seus. Para que na frente os seus torcedores não sejam acusados de racismo. A gente precisa educar as pessoas. Racismo não é só o xingamento de macaco, o gesto e a gente precisa reforçar que o futebol não é um espaço onde pode tudo".