Prévia da campeonato mundial de Fórmula 1 de 2026

Revolução técnica ou o fim dos motores a combustão em nome da ecologia? O fim das ultrapassagens ou, pelo contrário, um fôlego novo com disputas constantes sem as tradicionais zonas de DRS? Estas são apenas algumas das polêmicas que os fãs da categoria máxima do automobilismo discutem ao redor do mundo há meses.

Mas em um ponto todos concordam: a temporada de 2026 tem tudo para ser o marco zero de uma nova geração de carros, onde cada bólido será diferente de qualquer protótipo do passado.

E não se espante se, logo nos testes de pré-temporada, antigos figurantes ocuparem o top 5, enquanto os atuais donos do pódio enfrentam dificuldades imprevistas.

Quem vai vencer a Fórmula 1 em 2026?

Vamos analisar juntos as mudanças cruciais que carros e equipes vão sofrer em 2026, além de descobrir quem os analistas apontam como favoritos ao título mundial e ao Mundial de Construtores. 

Conteúdo

Favorito campeonato mundial de fórmula 1 de 2026 

Se você estranhou ao ver o nome de George Russell como um dos favoritos ao título, não se preocupe — não é um erro de digitação nas odds, mas sim um prognóstico fundamentado. Tudo se resume à vantagem potencial que as unidades de potência da Mercedes e da Red Bull podem obter. Mas falaremos disso em detalhes logo adiante. 

Já no sucesso repetido de Norris, os analistas não botam tanta fé quanto antes. Afinal, o novo regulamento deve equilibrar o jogo entre vários carros, e até agora o time de Zak Brown não tem a certeza absoluta de que conseguirá dominar como no ano passado. 

Enquanto isso, Toto Wolff não esconde o incômodo com o fato de a McLaren ter obtido uma vantagem de desempenho tão grande utilizando motores da Mercedes High Performance Powertrains: 

Ninguém fora do nosso pequeno microcosmo está interessado no sucesso de clientes. Claro, no coração do engenheiro-chefe da HPP, Hywel Thomas, sempre haverá orgulho ao ver sua unidade de potência vencer o campeonato, mas para a nossa equipe isso significa apenas que não estamos fazendo nosso trabalho bem o suficiente. Mas acreditem, nesta temporada vamos surpreender a todos e encerrar qualquer conversa paralela.

Por outro lado, o diretor da Ford Performance Motorsport — nova parceira da Red Bull — foi bem mais cauteloso em suas projeções para 2026, admitindo de forma realista que não espera um domínio imediato logo nas primeiras corridas.

Mark Rushbrook destacou que a Ford não está criando um motor do zero absoluto, mas desenvolvendo melhorias focadas no novo regulamento. 

O papel da Ford neste projeto foi focado principalmente na parte elétrica da unidade de potência. Sabemos que aceitamos um desafio enorme, especialmente considerando que a Red Bull está produzindo seus próprios motores pela primeira vez. Por isso, é difícil imaginar que teremos sucesso imediato.

Ainda assim, as casas de apostas acreditam que Max Verstappen tem todas as chances de faturar mais um título. O próprio holandês, porém, não esconde que, caso o novo carro "não ande" até o fim da temporada, ele pode muito bem pendurar o capacete na F1 e focar em outras categorias do automobilismo. 

E você, o que acha das chances de "Franz Hermann"pseudônimo escolhido por Max para disputar as 24 Horas de Nürburgring  levar o caneco este ano?

Diferenças entre os carros de 2025 e 2026

A missão principal do novo regulamento técnico é repensar radicalmente a identidade dos carros: torná-los visivelmente mais leves e ágeis, com uma pilotagem mais intuitiva.

Um aspecto fundamental será a "aerodinâmica ativa", que visa evitar que o espectador tenha que esperar eternamente até que o piloto consiga abrir a asa no momento exato. Agora será muito mais fácil ultrapassar e, potencialmente, isso intensificará a briga por posições em todo o grid.

E, claro, há o forte apelo ecológico, que faz muitos fãs temerem que, com o passar dos anos, a F1 acabe se transformando em uma "Fórmula E" gourmet. 

Visual, tamanho e peso

Os carros serão mais compactos: redução no entre-eixos (de 3600mm para 3400mm) e na largura (de 2050mm para 1900mm).

  • As rodas de 18 polegadas continuam, mas o perfil dos pneus muda.
  • Novos indicadores laterais mostrarão o status do sistema ERS.
  • O peso máximo caiu para 768 kg (30 kg mais leve que os carros atuais).
  • Massa dos pneus — cerca de 46 kg.

A grande dor de cabeça para bater o peso foi acomodar as baterias, que estão muito mais pesadas este ano para dar conta da maior dependência elétrica.

Aerodinâmica

Abolição total do sistema DRS clássico e introdução da "aerodinâmica ativa". Agora, as asas dianteira e traseira terão elementos móveis controlados:

  • Nas retas, o piloto pode "recolher os flaps" para reduzir o arrasto.
  • Nas curvas, os flaps se levantam ao acionar um botão no volante ou ao frear.

Os elementos móveis terão apenas duas posições fixas. Qualquer desvio nos ângulos permitidos gera desclassificação, já que um ajuste irregular poderia aumentar ilegalmente a pressão aerodinâmica.

Design das asas totalmente refeito. A asa dianteira ficou 100mm mais estreita e seu elemento móvel tem dois planos. A traseira terá três planos, sendo dois móveis.

Redução drástica do "efeito solo". O novo assoalho plano reduzirá a pressão aerodinâmica em 30%, mas cortará o arrasto em recordes 55%. A promessa é eliminar o "ar sujo" para quem vem atrás, mas a eficácia real só veremos na pista.

Motor

Uma novidade importante será a permissão de usar uma unidade de potência extra por temporada. Com a transição, os motores sofrerão esforços adicionais e ainda é cedo para saber o nível de confiabilidade.

  • A potência do motor a combustão cairá para cerca de 545 cv (hoje gira entre 750-760 cv).
  • A potência da parte híbrida (ERS) saltou de 120 para 350 kW (um acréscimo de aproximadamente 475 cv).
  • O sistema de injeção foi limitado a apenas um injetor e uma vela por cilindro. Rumores diziam que equipes tentaram burlar isso, mas a FIA vetou.
  • Modo Override: Para ultrapassagens, o piloto ativa um boost extra do motor elétrico se estiver a menos de um segundo do carro à frente. É a alternativa ao DRS que, aliada à aerodinâmica ativa, deve gerar um ganho de velocidade considerável.

As chances de ultrapassagem também aumentam porque a potência do carro da frente será reduzida após cruzar a marca de 290 km/h, permitindo que quem vem atrás encoste com mais facilidade. 

Pneus

Largura dos pneus dianteiros reduzida em 25 mm e traseiros em 30 mm. A mudança no perfil afetará a tração inicial ao diminuir a área de contato na largada. 

Mudanças de regras

Exigências mais rígidas em crash-tests e absorção de energia do chassi.

Seis fabricantes de motores: Alpine, Audi, Ferrari, Honda, Mercedes e Red Bull Ford.

Transição total para combustíveis 100% sustentáveis.

As equipes devem garantir que, após a corrida, restem pelo menos 0,7 litro de combustível no tanque para amostras dos comissários (antes era 1 litro).

O sistema Halo deve suportar 20G em caso de capotamento (antes 16G).

Com a entrada da Cadillac e o aumento para 22 carros no grid, as sessões de qualificação mudam: agora seis pilotos serão eliminados no Q1 e Q2 (em vez de cinco).

Red Bull e Mercedes terão vantagem? 

Prometemos contar por que Ferrari, Audi e Aston Martin estão na bronca com RBR e Mercedes. O motivo é o debate sobre a taxa de compressão. Mas o que é isso?

A taxa de compressão é a relação entre o volume total do cilindro e o volume da câmara de combustão. Quanto maior a taxa, mais energia mecânica o motor gera.

O novo regulamento prevê a redução dessa taxa de 18:1 para 16:1. O detalhe é que essa conferência é feita fora da pista, em condições estáticas e temperatura ambiente.

Rumores sugerem que Mercedes e Red Bull encontraram uma brecha usando a dilatação térmica dos materiais. Ou seja, suas ligas metálicas seriam tão sensíveis ao calor que a taxa de compressão aumentaria automaticamente quando o motor estivesse quente. Como a verificação é feita em temperatura ambiente, elas estariam dentro da regra nos boxes, mas com vantagem de potência em corrida.

A FIA parece aceitar a interpretação de Mercedes e RBR, o que força as outras marcas a correrem atrás de ligas metálicas similares para recuperar a taxa de 18:1. Mas, por enquanto, tudo não passa de teoria de bastidores.

Escalação das equipes para 2026

Confira as principais mudanças no grid: 

  • Oracle Red Bull Racing. Isack Hadjar substituiu Yuki Tsunoda. 
  • Visa Cash App Racing Bulls F1 Team. Arvid Lindblad estreia na Fórmula 1, substituindo Isack Hadjar.
  • Cadillac. Sergio Pérez e Valtteri Bottas tornaram-se os primeiros pilotos da Cadillac.
  • Audi Revolut F1 Team. A montadora alemã Audi concluiu em 2024 a aquisição da empresa suíça Sauber. Este ano, Gabriel Bortoletto e Nico Hülkenberg se tornarão oficialmente pilotos da Audi Revolut F1 Team. 

Grid da Fórmula 1 - Temporada 2026

Equipe

Pilotos F1 

BWT Alpine F1 Team

Pierre Gasly / Franco Colapinto

Aston Martin Aramco Honda

Fernando Alonso / Lance Stroll

Audi Revolut F1 Team

Gabriel Bortoleto / Nico Hülkenberg

Cadillac Formula 1 Team

Sergio Pérez / Valtteri Bottas

Scuderia Ferrari HP

Charles Leclerc / Lewis Hamilton

TGR Haas F1 Team

Esteban Ocon / Oliver Bearman

McLaren Mastercard F1 Team

Lando Norris / Oscar Piastri

Mercedes-AMG Petronas F1 Team

Kimi Antonelli / George Russell

Visa Cash App Racing Bulls F1 Team

Liam Lawson / Arvid Lindblad

Oracle Red Bull Racing

Max Verstappen / Isack Hadjar

Atlassian Williams F1 Team

Alexander Albon / Carlos Sainz

Cronograma de lançamentos dos carros de 2026

Data

Equipe

Carro de Fórmula 1 

Local

15 de janeiro

Red Bull Racing

RB22

Detroit, EUA

15 de janeiro

Racing Bulls

Detroit, EUA

19 de janeiro

Haas F1

VF-26

20 de janeiro

Audi

Berlim, Alemanha

23 de janeiro

Ferrari

SF-26

Fiorano, Itália

23 de janeiro

Alpine

A526

Barcelona, Espanha

2 de fevereiro

Mercedes

W17

Online

3 de fevereiro

Williams

FW48

Grove, Reino Unido

8 de fevereiro

Cadillac

Super Bowl, EUA

9 de fevereiro

Aston Martin

9 de fevereiro

McLaren

MCL40

Calendário da Fórmula 1 Pré-Temporada

Os testes em Barcelona acontecem de 26 a 30 de janeiro. Após os ajustes iniciais, as equipes seguem para o Bahrein. No circuito de Sakhir, os testes ocorrem em duas etapas: de 11 a 13 de fevereiro e de 18 a 20 de fevereiro. A estreia oficial será no GP da Austrália, de 6 a 8 de março.

Resultados dos Testes de Barcelona (Simulados)

Barcelona

Piloto

Equipe

Tempo

Dia

L. Hamilton

Ferrari

1:16.348

5

D. Russell

Mercedes

1:16.445

4

L.Norris

McLaren

1:16.594

5

C. Leclerc

Ferrari

1:16.653

5

K.Antonelli 

Mercedes

1:17.081

4

O.Piastri

McLaren

1:17.446

5

M.Verstappen

Red Bull

1:17.586

5

P.Gasly

Alpine

1:17.707

5

I.Hadjar

Red Bull

1:18.159

1

E.Ocon

Haas

1:18.393

5

O.Bearman

Haas

1:18.423

5

A.Lindblad

Racing Bulls

1:18.451

4

L.Lawson

Racing Bulls

1:18.840

4

F.Colapinto

Alpine

1:19.150

3

N.Hülkenberg

Audi

1:19.870

5

G.Bortoleto

Audi

1:20.179

5

F.Alonso

Aston Martin

1:20.795

5

V.Bottas

Cadillac

1:20.920

5

S.Péres

Cadillac

1:21.024

4

L.Stroll

Aston Martin

1:46.404

4

F1 horarios para 2026

Data

Etapa

Autódromo

6–8 mar

Austrália

Melbourne, Albert Park

13–15 mar

China

Xangai

27–29 mar

Japão

Suzuka

10–12 abr

Bahrein

Sakhir

17–19 abr

Arábia Saudita

Jeddah

1–3 mai

EUA (Miami)

Miami Autodrome

22–24 mai

Canadá

Montreal

5–7 jun

Mônaco

Monte Carlo

12–14 jun

Espanha (Barcelona)

Barcelona-Catalunha

26–28 jun

Áustria

Red Bull Ring

3–5 jul

Grã-Bretanha

Silverstone

17–19 jul

Bélgica

Spa-Francorchamps

24–26 jul

Hungria

Hungaroring

21–23 ago

Holanda

Zandvoort

4–6 set

Itália

Monza

11–13 set

Espanha (Madri)

Madri

24–26 set

Azerbaijão

Baku

9–11 out

Singapura

Marina Bay

23–25 out

EUA (Austin)

COTA

30 out — 1 nov

México

Hermanos Rodríguez

6–8 nov

Brasil

Interlagos

19–21 nov

EUA (Las Vegas)

Las Vegas Strip

27–29 nov

Catar

Lusail

4–6 dez

Abu Dhabi

Yas Marina

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