Onde apostar no Australian Open 2026
O ano de 2025 no circuito masculino foi marcado pelo domínio total de Carlos Alcaraz e Jannik Sinner — os tenistas travaram uma batalha feroz pelo topo do ranking e dividiram entre si os quatro troféus de Grand Slam. Basta olhar para a classificação da ATP para entender o tamanho desse abismo: o terceiro colocado, Alexander Zverev, está a impressionantes 6.395 pontos de distância do atual número 2 do mundo, Jannik Sinner.
Não por acaso, nas odds das casas de apostas para o campeão do Australian Open 2026, o italiano e o espanhol aparecem como favoritos destacados, com uma vantagem gigantesca sobre os demais concorrentes.
Quem será o campeão do Australian Open 2026?
Sinner e Alcaraz fora da curva
Além da superioridade nítida de Sinner e Alcaraz em relação ao resto do pelotão, vale notar que, no duelo direto entre os dois, os analistas dão um favoritismo claro ao italiano. Isso ocorre mesmo com Carlos estando acima no ranking e tendo vencido quatro dos seis confrontos oficiais entre eles em 2025. Além disso, o espanhol já começou 2026 batendo Jannik em uma partida de exibição.
Essa distribuição de forças deve-se muito ao fato de que o final de 2025 foi ditado por Sinner. No segundo semestre, Jannik conquistou quatro de seus seis títulos na temporada, incluindo o ATP Finals, onde derrotou justamente Alcaraz na decisão. Além disso, o estilo de jogo de Sinner se adapta melhor a superfícies rápidas, e o piso duro de Melbourne é conhecido por ser veloz. Para completar, o italiano defende o título há dois anos consecutivos na Austrália.
O que Alcaraz pode oferecer para desbancar seu maior rival no circuito? Ao analisar as chances do espanhol, é preciso pontuar que ele inicia a temporada sem seu treinador de longa data, Juan Carlos Ferrero. Potencialmente, pouca coisa mudará em quadra, já que Carlos trabalhará com Samuel López, que integra a equipe desde 2024 e dificilmente vai alterar os pontos-chave do processo de treinamento estabelecido por Ferrero. Por outro lado, só veremos o real estado do líder do ranking quando a bola subir em Melbourne.
O Australian Open tem sido um desafio para Alcaraz: em quatro tentativas, seus melhores resultados foram as quartas de final em 2024 e 2025. Como de costume na era Ferrero, Carlos optou por não disputar torneios preparatórios antes do Slam, o que sugere que nada mudou em sua preparação física e técnica.
Pelo chaveamento, o primeiro grande teste do espanhol deve ser nas oitavas de final, onde pode cruzar com nomes como Tommy Paul ou Alejandro Davidovich Fokina — jogadores que, se estiverem em um dia inspirado, podem complicar a vida do favorito. No entanto, até lá, Alcaraz já deverá ter pego o ritmo de jogo necessário.
Um embate com Sinner só é possível na final, um cenário ao qual o público já se acostumou, já que ambos entram como os dois principais cabeças de chave na maioria dos torneios e não se cruzam antes da decisão. No geral, considerando os sucessos do ano passado e os confrontos diretos, uma odd acima de 3.00 para o título inédito de Alcaraz em Melbourne parece bastante atraente.
Um pouco "escondido" nas cotações das casas de apostas está Novak Djokovic, dono de 10 títulos em Melbourne. A idade começa a pesar: o sérvio já tem 38 anos e sente cada vez mais dificuldade para encarar o fôlego da nova geração em pé de igualdade. Contudo, em se tratando de Grand Slams, Nole raramente joga abaixo de um nível de elite, alcançando no mínimo as semifinais. Em 2025, Djokovic chegou ao penúltimo estágio em todos os quatro Majors: caiu duas vezes para Sinner, uma para Alcaraz e, no Australian Open, foi obrigado a abandonar a semifinal contra Zverev devido a uma lesão.
Vale lembrar que, há um ano, em Melbourne, Novak bateu Alcaraz nas quartas de final. É difícil prever o que o lendário sérvio apresentará desta vez, já que ele não disputou torneios preparatórios nem exibições. Ele está na parte de baixo da chave e, se tudo correr bem, pode reeditar o confronto contra Sinner na semifinal. De qualquer forma, nunca é prudente descartar Djokovic antes da hora.
Entre os concorrentes mais fortes para incomodar a dupla Sinner-Alcaraz, Daniil Medvedev merece destaque. O tenista russo é conhecido por sua imprevisibilidade, mas é justamente aí que reside sua força. No ano passado, após uma série de resultados negativos, ele encerrou a parceria de anos com o técnico Gilles Cervara, buscando um novo fôlego na carreira.
Pelo início desta temporada, Medvedev parece pronto para grandes desafios — o título em Brisbane mostrou que ele ainda tem lenha para queimar. Foram cinco vitórias, apenas um set perdido e o habitual jogo de resiliência na linha de fundo. Além disso, o russo não teve medo de ser agressivo, subindo à rede com confiança e mantendo o saque afiado no piso duro. Melbourne é um lugar especial para Daniil, onde ele já alcançou três finais. Nas estatísticas contra os favoritos em Slams, Medvedev soma 2 a 2 contra Alcaraz e 1 a 2 contra Sinner — números bem interessantes.
Lista negra dos figurões: quem pode decepcionar no AO 2026
O Australian Open é o primeiro grande teste da temporada. O tempo de preparação é curto, apenas duas semanas de competição oficial. Além disso, o clima local e o calor extremo costumam bagunçar as previsões. Desta vez, embora a previsão seja de temperaturas amenas (na casa dos 25 graus), há três jogadores do Top 10 que ligam o sinal de alerta para uma eliminação precoce.
Lorenzo Musetti. O italiano empolgou ao chegar na final do torneio preparatório em Hong Kong. No entanto, em Melbourne, ele nunca brilhou: seu melhor resultado foi a terceira rodada no ano passado. Além disso, em duas de suas últimas três eliminações no torneio, ele caiu quando era o favorito nas casas de apostas.
Taylor Fritz. O americano não impressionou na United Cup, perdendo três das quatro partidas que disputou. Tudo indica que ele chega ao Aberto da Austrália longe da forma ideal. O máximo que Fritz conseguiu em Melbourne foi uma quarta de final em 2024. Taylor também costuma "presentear" quem aposta em zebras: duas de suas últimas três quedas foram contra adversários que pagavam odds acima de 6.00.
Alexander Bublik. O novo número 10 do mundo, apesar de todas as conquistas recentes, costuma naufragar em Melbourne. Em nove participações, Bublik só passou para a segunda rodada três vezes e nunca avançou além disso. Por outro lado, o cazaque quebrou muitos estereótipos sobre si mesmo no último ano, como a excelente campanha no saibro chegando às quartas de final de Roland Garros.
Bublik começou 2026 com o título em Hong Kong, mostrando que o ritmo de jogo está em dia, o que sugeriria um possível sucesso em Melbourne. No entanto, o histórico de eliminações precoces deixa qualquer apostador cauteloso.
Bublik — Brooksby, 18 de janeiro
Qualifiers na primeira rodada trazem lucro
Em Melbourne, ano após ano, os tenistas que superam o qualificatório costumam se sair bem na chave principal, já adaptados às condições e ao ritmo de jogo. Em início de temporada, ter ritmo de competição muitas vezes pesa mais do que o ranking.
Confira a estatística das últimas três temporadas (excluindo jogos onde dois qualifiers se enfrentaram na estreia).
Apostas em qualifiers na 1ª rodada (Unidade de 70 R$)
|
Ano |
Vitórias |
Taxa de acerto, % |
Lucro, R$. |
|---|---|---|---|
|
2023 |
5 |
35,7 |
−108,58 |
|
2024 |
8 |
57,1 |
410,80 |
|
2025 |
7 |
43,7 |
75,38 |
|
Total |
20 |
45,5 |
377,61 |
Como se nota, não há uma estabilidade exata, mas o lucro na distância compensa. Justamente os jogadores que já "aqueceram" no quali são capazes de protagonizar zebras. Não é coincidência que, mesmo com um saldo negativo de vitórias e derrotas, o lucro acumulado em três anos ao apostar em qualifiers seja positivo.
Entre os nomes promissores deste ano, destaque para Nishesh Basavareddy, que começou a trabalhar com o francês Gilles Cervara (ex-técnico de Medvedev). O resultado já apareceu: três vitórias sólidas no qualificatório de Melbourne. É verdade que os adversários não eram os mais difíceis — em todos os jogos Basavareddy era o favorito e confirmou o status. Ficou marcada a sua partida contra Ofner, quando o austríaco chegou a comemorar a vitória no tie-break decisivo ao fazer sete pontos, esquecendo que no Australian Open o tie-break do último set vai até 10. Basavareddy manteve o foco, virou a "loteria" e saiu com a vitória.
O adversário de Nishesh na estreia é o australiano Christopher O’Connell, que ocupa a 118ª posição no ranking e nunca deu grandes saltos na carreira. Nos torneios de Brisbane e Adelaide, O’Connell não conseguiu sequer passar pelo qualificatório, vencendo apenas um de três jogos. O australiano depende muito do saque e, quando o fundamento não entra, ele fica vulnerável. Basavareddy é um tenista mais versátil e já está totalmente adaptado ao clima de Melbourne, tendo totais condições de avançar.
Basavareddy — O’Connell, 19 de janeiro
Reta final não é lugar de zebras
O Australian Open, assim como os grandes torneios do circuito, caracteriza-se por ter poucas surpresas nas fases decisivas. Conforme o torneio avança, restam apenas os mais preparados e adaptados. Além disso, as linhas das casas de apostas tornam-se muito mais precisas nessa fase.
Nas últimas três temporadas, das oitavas de final até a grande decisão, foram disputadas 41 partidas em Melbourne, e em 35 delas o favorito venceu. O lucro ao apostar nos favoritos nessas fases foi de 4,9 unidades — um número bastante sólido.
Além disso, nos últimos oito anos, apenas uma vez o azarão venceu a final. O fato ocorreu em 2022, quando Rafael Nadal buscou uma virada histórica em cinco sets contra Daniil Medvedev.
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