Endrick saiu do Real Madrid por causa da Copa de 2026 e não se arrependeu

O que alguém não faz para estar na lista da Copa do Mundo? Endrick saiu do Real Madrid, sem esperar a saída de Xabi Alonso do comando do Real, se mandou para o Lyon, um time modesto, mas onde tem tudo para chamar a atenção de Carlo Ancelotti. Enquanto isso, a Seleção Brasileira aparece no top-3 dos favoritos ao título na América do Norte.

Quem vai ganhar a Copa de 2026?

Quais as chances de o jovem talento garantir um lugar na seleção e por que Endrick tem tudo para voltar ao elenco do Real Madrid na próxima temporada? É o que este texto responde.

Como o empréstimo recolocou o brasileiro nos trilhos

Por mais que ele quisesse brigar por espaço no Real Madrid, sair por empréstimo foi a única decisão sensata para Endrick. Com apenas 99 minutos em campo e nenhuma participação em gol, era missão impossível ser lembrado por Dorival Júnior para a Copa.

A estreia no Groupama Stadium foi um show: 6 gols e 4 assistências nos primeiros 11 jogos, além de quatro prêmios de melhor em campo. O que manchou um pouco o quadro foi o duelo com o Nantes, quando Endrick foi expulso. No geral, porém, a estreia foi um sucesso. O Lyon, aliás, briga firme por uma vaga na Champions da próxima temporada, e os gols de Endrick estão ajudando (e muito).

Se Endrick tiver uma carreira vitoriosa e resolver escrever suas memórias, vai ter que citar Paulo Fonseca como o treinador que deu liberdade a ele dentro de campo. O português não exige apenas ações diretas, finalizações e gols (coisas que Endrick já faz bem), mas também um trabalho mais refinado: movimentação, chegada por dentro e passes precisos.

O teste de maturidade foi contra o Olympique de Marseille. Endrick formou dupla de ataque com Yaremchuk e mandou bem na função de segundo atacante: duas assistências, 70% de dribles certos, 60% de duelos ganhos e duas chances claras perdidas. Se ele mantiver esse nível, Ancelotti e o Real Madrid ganham uma dupla de peso com Vini Jr. por muitos anos.

O teste nas competições europeias também veio. No jogo da Liga Europa contra o Celta (1 a 1), o brasileiro marcou o gol que salvou o time da derrota. Endrick também foi bem na criação: quatro passes decisivos, uma chance criada e 93% de acerto nos passes – uma estreia e tanto. O Lyon, aliás, é um dos favoritos ao título. 

Sob o olhar de Mestre Ancelotti: Endrick vai convencer na seleção?

Missão dada, missão cumprida: Endrick está nos planos da seleção para os amistosos do fim de março e começo de abril. O brasileiro já foi convocado antes, com 14 jogos no currículo, mas ainda não desencantou em competições oficiais – seus três gols foram em amistosos.

A favor de Endrick pesa o fato de Ancelotti ser o técnico da seleção. O italiano conhece o talento do atacante – afinal, foi ele quem deu os primeiros minutos a Endrick em Madrid. Mas não tem essa de "pistolagem", como o próprio Carlo deixou claro: se não joga, não tem vaga.

Hoje, Ancelotti não tem exatamente uma lista gigantesca de centroavantes (diferente dos pontas). Tirando Neymar da jogada – que, se for convocado, deve ser reserva –, os candidatos são:

  • João Pedro(Chelsea);
  • Pedro (Flamengo)
  • Vitor Roque (Palmeiras)
  • Richarlison (Tottenham)
  • Kaio Jorge (Cruzeiro)
  • Igor Jesus (Nottingham Forest)

O titular tende a ser o centroavante do Chelsea, enquanto Richarlison, com o Tottenham em frangalhos, pode estar mais preocupado em se preparar para a Championship do que para a Copa. Igor Jesus só vai bem na Liga Europa (sete gols em oito jogos), e Pedro só brilha no Carioca. Ou seja, os concorrentes diretos de Endrick são Kaio Jorge e Vitor Roque.

Estatísticas de Endrick, Kaio Jorge e Vitor Roque na temporada 2025/26

Estatísticas

Endrick

Kaio Jorge

Victor Roque

Minutos em campo

884

4315

4683

Gols

5

34

26

Assistências

4

9

6

Chances criadas

6

8

5

Finalizações (médio por jogo)

3,1

3,2

2,3

Endrick perde feio em minutos jogados, mas a experiência em seleção joga a favor do garoto de 19 anos: Kaio Jorge tem só 19 minutos com a amarelinha, e Vitor Roque, 45. 

Além disso, já dá para ver que Endrick é mais versátil. A sequência e a confiança do treinador (inclusive de Ancelotti) podem dar a confiança necessária.

Outro ponto é o grupo C da seleção na Copa: Marrocos, Haiti e Escócia. Difícil não passar em primeiro. 

Se Carlo apostar em Endrick, num jogo contra o Haiti, por exemplo, o garoto tem chance de sobra para mostrar serviço.

A volta ao Bernabéu: novo Mariano ou candidato a titular?

A jornada "Madrid – Lyon – Madrid" lembra um herói esquecido do clássico de 2019/20: Mariano Díaz. O atacante também foi para a França tentar impressionar os cartolas do Real, fez uma temporada monstruosa, mas voltou ao Bernabéu e passou cinco anos no banco, com apenas 1800 minutos em campo.

Mariano Díaz x Endrick estatísticas no Lyon

Indicador

Mariano (2017 — 2018)

Endrick (2026)

Jogos

43

11*

Gols

20

6

Assistências

5

4

Passes decisivos (média por jogo)

0,9

1,7

Chances criadas

4

7

Toques na bola (média)

24,9

41,1

*Até 13 de março de 2026.

Nesse ritmo, o brasileiro deve superar os números de Mariano. A diferença fundamental, porém, é a influência no jogo. Endrick no Lyon já participa da construção, cria chances e atua em dupla de ataque. Mariano era um típico centroavante de área dos anos 2010, cujo auge era tabelar com um companheiro dentro da área.

Fonseca está lapidando as qualidades de Endrick. Diferente de Xabi Alonso, que não enxergou (ou não quis enxergar) a mobilidade e o porte físico do brasileiro, o português vê no atacante um jogador versátil, que ajuda na armação e finaliza.

Esse tipo de jogador faz falta tanto na seleção de Ancelotti quanto no Real Madrid do futuro, seja lá quem for o técnico. Ele seria útil para Arbeloa hoje, se Xabi não o tivesse ignorado. O principal concorrente de Endrick no Real é Gonzalo García, que é, basicamente, um Mariano Díaz com números fracos. 

Estatísticas de Gonzalo García na temporada 2025/26

Indicador

García

Jogos 

22

Gols

4

Assistências

0

Passes decisivos (média por jogo)

0,4

Chances criadas

1

Toques na bola (média)

12,3

Fora o hat-trick contra o Betis em dezembro, os números não impressionam – nem mesmo considerando a má fase de Mbappé antes da lesão em fevereiro. Xabi Alonso e Arbeloa deram chances a Gonzalo, mas o Real Madrid não precisa de um atacante fixo na área, pelo estilo de jogo. A dupla com Vini Jr. ou Mbappé não encaixou. Empréstimo ou venda no meio do ano é o mais provável.

Se Endrick no Lyon seguir nesse ritmo, é quase certo que estará na lista da Copa e, depois, no elenco do Real Madrid, não importa quem seja o técnico. Some a isso a lesão de Rodrigo (rompeu o ligamento), as polêmicas sem fim envolvendo Vini Jr. e o histórico de lesões de Mastantuono – 2026 pode ser o ano de Endrick no Lyon.

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